Santa Catarina lidera doação de órgãos no Brasil pelo segundo ano seguido

Florianópolis (SC)

Santa Catarina alcançou, em 2025, a maior taxa de doadores efetivos do Brasil: 42,8 por milhão de população (pmp). O estado também registrou a menor taxa de não autorização familiar do país, de 32%. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

Os números consolidam uma política pública estruturada ao longo de mais de duas décadas. Nesse período, cerca de 26 mil pessoas em Santa Catarina receberam órgãos, tecidos ou células. Pessoas de outros estados também foram beneficiadas com doações realizadas no território catarinense.

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“A gente sabe que a doação de órgãos envolve uma rede complexa, mas que aqui no estado é muito bem amarrada pela SC Transplantes. É um momento muito delicado para a família que perdeu um parente, que exige muita compreensão e conversa. É um gesto solidário e que salva muitas vidas”, afirma o governador Jorginho Mello.

Entre janeiro e dezembro de 2025, a Central Estadual de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), registrou 804 notificações de potenciais doadores — taxa de 98,2 notificações pmp. A média nacional foi de 74,7 pmp no mesmo período.

“Santa Catarina está à frente do resto do país, salvando e melhorando a qualidade de vida da população. O SC Transplantes é uma política de Estado que há muitos anos se destaca no cenário de doação e transplante no país e no mundo. Com a orientação do governador Jorginho Mello, seguimos aprimorando nossos serviços, com investimento na estrutura de atendimento e de transporte terrestre e aéreo”, destaca o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi.

O estado também foi o mais eficiente na conversão de potenciais doadores em doadores efetivos, chegando a 43% — apenas outro estado superou essa marca. O índice de 42,8 doadores efetivos pmp está entre os mais elevados da série histórica de Santa Catarina. A taxa nacional ficou em 20,3 pmp.

A taxa de não autorização familiar caiu de 70%, em 2007, para 32% em 2025. Esse desempenho é resultado de investimentos em educação permanente e capacitação das equipes de saúde, especialmente nas áreas de terapia intensiva, emergência e setores críticos.

“Esses dados refletem a maturidade do sistema estadual de transplantes. Nos últimos 21 anos, por 15 fomos líderes isolados do processo de doação de órgãos para transplante no Brasil; e nos anos restantes fomos o segundo colocado. Os dados de 2025 mostram que a não autorização familiar foi de 32%, a taxa de efetivação foi de 43%, e a taxa de doação de órgãos efetivos foi de 42,8%, todos os melhores resultados do país. O conjunto desses dados revela que quem vive em Santa Catarina tem as melhores chances de receber um órgão ou tecidos quando precisar”, explica o coordenador do SC Transplantes, Joel de Andrade.

A entrevista familiar é considerada a etapa mais sensível do processo de doação. Para fortalecer essa abordagem, Santa Catarina realiza, em média, dez Cursos de Comunicação em Situações Críticas por ano. Até 2025, 3.082 profissionais foram capacitados.

“Cada vez mais, famílias que enfrentam o momento mais difícil de suas vidas têm autorizado a doação de órgãos e tecidos. Mesmo diante do luto, muitas optam por transformar a dor em um gesto de generosidade, contribuindo para salvar e melhorar a vida de outras pessoas. Este é o verdadeiro legado do SC Transplantes: transformar solidariedade em vida”, reforça Andrade.

Ao longo desse período, cerca de 9,1 mil famílias catarinenses autorizaram a doação, impactando diretamente a vida de milhares de pessoas em Santa Catarina e em outros estados.

Posso ser doador?

Todas as pessoas podem doar órgãos e tecidos. Não é necessário deixar nada por escrito — basta comunicar à família o desejo de ser doador, pois a doação só acontece após autorização familiar. Após o consentimento, são iniciados o planejamento da logística, os procedimentos para remoção dos órgãos, a seleção dos receptores mais compatíveis e a distribuição para transplante.

 


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